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quinta-feira, 5 de março de 2009

Cegueira religiosa

Acredito que uma das piores coisas já inventadas pelo homem é a cegueira religiosa. Observem bem que não estou falando da religião em si, pois esta é realmente importante ao homem, mas sim de dogmas absurdos que acabam causando a cegueira religiosa.

Tivemos por estes dias a trágica notícia de que uma menina de 9 anos, moradora de Recife, estava grávida de gêmeos, sendo que a gravidez era o resultado de três longos anos de abusos sexuais por parte do seu padrasto. Como eu disse, tragédia completa!

As autoridades tomaram então o único caminho aceitável numa situação dantesca como esta e induziram o aborto dos gêmeos, visto que uma menina de 9 anos, que já vinha sofrendo abusos desde os 6 anos, não teria a menor capacidade de prosseguir com esta gravidez. Vamos então pensar nesta expressão não teria a menor capacidade de prosseguir com esta gravidez.

Surgem algumas perguntas e não vou de forma alguma respondê-las, deixando a todos a tarefa de refletir sobre as possíveis respostas:
  • Será que esta menina conseguirá prosseguir com esta gravidez sem que seu corpo seja mais maltratado do que já está? Poderia esta gravidez ter um risco elevado levando então a morte das crianças, todas as três?
  • Como uma criança poderá criar estas duas crianças?
  • Qual o dano social futuro desta família?
  • Como estará a mente desta pobre criança que deveria estar brincando com bonecas mas que foi o alvo dos abusos de um estuprador?
  • Como será a estrutura familiar que esta menina vive?
  • Como ficaria esta mesma estrutura familiar depois do nacimento destes bebês?
  • Qual deveria ser o papel da religião neste caso? Um papel punitivo ou confortante?
  • Sendo punida, direta ou indiretamente, pelos representantes religiosos, como esta criança se sentirá agora? Será que ela somatizará os problemas jogando em si mesma a responsabilidade do hediondo fato?
Pois a Arquediocese de Olinda e Recife, na figura de seu arcebispo dom José Cardoso Sobrinho, excomungou não só a mãe da criança como o médico que responsavelmente procedeu com o métido abortivo. Ele puniu a criança indiretamente visto que sua família foi punida. O acerbispo está defendendo apenas o dogma religioso no qual acredita sem parar para pensar em como esta criança deve estar se sentindo. Ele age como um juiz divino, punindo pessoas com leis retrógadas (opinião pessoal minha), afastando ainda mais seus fiéis, visto que não são mais ignorantes medievais e sim pessoas instruídas e evoluídas, vivendo uma nova época. O mais engraçado é se dizerem benevolentes para com os menores. Será que são mesmo? Acredito estarem esquecidos dos vários, e não são poucos, casos de abusos infantis praticados por seus santos padres os quais foram durante anos ignorados pelo alto clero.

Esta é uma crítica particular minha a religião católica, que possui tanta coisa boa a ser praticada mas insiste em manter os antigos dogmas, arcaicos e empoeirados, cheirando a mofo e bolor. Basta olhar para suas igrejas e ver como estão vazias! Basta olhar seus cultos e ver como estão esvaziados. Falta a reflexão interna de que eles não mandam mais no mundo como já mandaram! O tempo não para, para o resto do mundo, e só para os dirigentes católicos ele parou a algumas centenas de anos!

E continuo com uma dúvida!
Qual a função desta ou de qualquer religião num momento como este? Punir ou confortar?

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